segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Entendendo a corporeidade do Tribal Brasil

Por Kilma Farias

Muita gente me pergunta o que é o Tribal Brasil, o que ele implica, se seus trabalhos podem se enquadrar como tal estilo, entre outras indagações que me levaram a refletir.

Respondendo objetivamente: Tribal Brasil é um produto, onde me dediquei a pesquisar cada movimento, nomeá-los, desenvolvi chaves e senhas, assim como no ATS, para que possa ser também um improviso coordenado. Em outros momentos podemos utilizá-lo como “combo based” para estruturar coreografias . É um método. Houve uma sistematização e continua em pleno desenvolvimento dentro da Cia Lunay, que em 19 de abril de 2013 completa 10 anos de atividade. O Tribal Brasil é resultado de uma pesquisa coletiva de 10 anos dentro do nosso grupo, onde coordeno e formato os resultados dessa pesquisa. Em 2012 tive a oportunidade de gravar DVD didático de Tribal Brasil & Fusion pela Revista Shimmie, mas já vinha trabalhando o estilo nesse formato há bastante tempo. Em Buenos Aires e no Rio de Janeiro já tinha aplicado o método em workshops e a linguagem corporal  fluiu sem entraves. Oba!

Respondendo subjetivamente, e é essa a definição que mais me agrada e apaixona, o Tribal Brasil somos todos nós. Senão vejamos, uma sociedade não é feita de um homem só, ela é uma teia, uma massa que produz sua identidade no fazer  “individualcoletivo” de cada dia. Essa massa, por sua vez, passou pela peneira da “colonização”, ou “descolonização” como também prefiro chamar, dos portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, alemães que aqui deixaram traços não só na arquitetura, mas principalmente no nosso “habitus”, na nossa forma de vestir, comer, andar, falar, namorar, escrever, estudar, viver, parir  e morrer. Mas por trás de todo um “polimento” como esquecer os reais donos dessa nossa terra, os índios, e os primeiros inquilinos, os negros, que até hoje ainda parecem pagar o preço de um aluguel imaginário. O Brasil é formado em sua maioria por negros e isso não é o acaso. Todos sabem que na história das civilizações muitos trabalham para sustentar o status de poucos. E assim foi também no princípio da nossa descolonização, e de certa forma se perpetua até hoje: poucos portugueses e muitos negros para trabalharem nas mais diversas funções braçais. Para nossa alegria, não vieram nos navios apenas homens e mulheres negras. Vieram danças, música, gestos, histórias, religião e um sem fim de heranças que nos acompanham até hoje.

Cada brasileiro possui em si a corporeidade hibrida de negros, índios, europeus, e após o advento da globalização, absorvemos muito dos americanos e ingleses. Essa fase fez parte da minha adolescência onde todos queriam se vestir, falar, dançar como os americanos, era o “american way of life”. Hoje, vejo os adolescentes muito voltados para a cultura japonesa por conta dos animes e todo um universo que se abre a partir deles, os mangás, as lolitas, etc. Já falei isso no texto “Essa metamorfose simbiótica chamada Tribal”, mas volto a tocar no assunto, com a praticidade da internet o mundo passou a estar contido em quem se interessar em absorvê-lo. Somos cidadãos do mundo, sim. Mas principalmente carregamos o mundo em nós, em cada um de nós, no nosso “habitus”. Por isso que no texto “Tribal Brasil – minhas impressões e expressões” fiquei à vontade para dizer que me sinto fazendo dança quando estou no tanque lavando roupa tanto quanto estou no palco, e assim muitos personagens nascem, da simplicidade, do cotidiano, de modo natural e por que não dizer, inevitável.

Os traços das danças dos Orixás, dos Torés, dos caboclinhos, do coco, cavalo marinho, carimbó, samba e frevo e todo o contexto sócio-político-cultural em que estão inseridos, estão presentes em cada um de nós, no gesto cotidiano, como se fossem códigos de um DNA cultural entrelaçados em nossa personalidade e que, sem necessariamente serem explícitos, afloram em nossa corporeidade. Quando penso assim, vivo o Tribal Brasil em toda a sua essência e me alegro em perceber que todos, por mais adversos que sejam às danças populares e afro-brasileiras também as possuem em seu código, mesmo que em estado latente e que acaba aflorando quando menos se espera.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Presentão para os 10 ANOS da Cia Lunay

Agende-se: 21 de abril, um evento incrível para você!!!
Mais informações em breve.
Arte: Tamyris Farias

Estamos planejando um presentão para os 10 ANOS da Cia Lunay!
Junte à toda essa beleza e encanto Workshops de Tribal, Mostra de Dança de Tribal Brasil, ATS, Tribal Fusion, Fusão e 10 anos da Cia Lunay para comemorar.



Que presentão, heim?!
Por enquanto reservem a dia 21 de abril na agenda de vocês e AGUARDEEEEEM!

Aproveitem e reservem também o dia 20, já que será um final de semana, para curtir um pouco dessa beleza aqui:


Amo muito tudo isso *___*

domingo, 6 de janeiro de 2013

Dança Árabe Masculina | Oficina Aberta

Essa novidade é só para os meninos :)
Gratuito, apenas 10 vagas. Quinta, dia 10, das 14h às 17h no Studio Lunay, em João Pessoa (PB).